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Trilhas Literárias: Março de 2004 ALBERTO DA CUNHA MELO: UM INDISCIPLINADOR DISCIPLINADO |
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Henfil
60 anos |
ALBERTO DA CUNHA MELO: UM INDISCIPLINADOR DISCIPLINADO |
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Alberto da Cunha Melo (José Alberto Tavares da Cunha Melo), poeta, sociólogo e jornalista, rompendo o cerco pernambucano, só agora, aos 62 anos de idade (8 de abril), com quinze livros publicados, vê três de seus livros serem editados em um único volume — Dois Caminhos e uma Oração — pela primeira vez por uma editora nacional (o primeiro título de poesia d'A Girafa) e, afinal, despertar a curiosidade de mais amplos circuitos intelectuais nacionais. Mas nossas edições de seus poemas, no Plataforma para a Poesia, sempre resultaram em uma larga correspondência que nos movia a, de uma forma mais coletiva, prestar informações sobre o poeta e sua obra. Acreditamos que o nosso objetivo foi atingido, como poderão constatar nas oito páginas editadas para o Trilhas, na maior e mais completa entrevista com o poeta de que temos conhecimento.
São 15 intelectuais brasileiros, dos mais consagrados
aos mais jovens — acesse a página Esta entrevista dista 40 anos do início de um dos
períodos mais sombrios da nossa história: o da ditadura militar
(1964-1984). Em outubro de 1979, logo após a Leia da Anistia
(28.agosto.1979), Alberto da
Cunha Melo publicou Noticiário. O livro foi escrito entre os anos
de 1969 a 1978 e só publicado naquele ano, pelas Edições Pirata, uma
editora alternativa da qual foi um dos idealizadores e gestor. Foi dele a
única voz literária pernambucana que no tom mais alto da mais refinada
poesia conseguiu, em versos livres, — fase que se estenderia a Poemas
à Mão Livre (1981) e Clau (1992) — emprestar sua voz a
todos que estiveram sob o torpor do silêncio imposto. Ilhado pelas
contingências ancestrais do Nordeste brasileiro, agravadas pela ditadura,
o Noticiário só teve repercussão na imprensa local e nacional
alguns anos depois. Em 23 de junho de 1981, quando no Estado do Acre, o poeta
recebeu uma correspondência de Neste ano de 2004, Henfil faria 60 anos. Registramos então nossa homenagem a esse gênio brasileiro do humor e à sua sensibilidade em dar conta de uma poética, à época, incrustada num das mais longínquas fronteiras do país (acesse a imagem da carta original do Henfil, "clicando" na Graúna, no início desta página). Sobre o Noticiário, o educador Paulo Freire escreveu: "Você não pode imaginar o bem que sua poesia me fez. Poesia 'de mesmo' — expressão de vida, compromisso histórico." (Genève, 08.jan.1980) De fato, Alberto da Cunha Melo nunca pertenceu a nenhum partido político, mas ninguém precisa pertencer a qualquer partido político para estorcegar diante da censura, do silêncio imposto com as arbitrariedades da tortura e da morte. Seu obsessivo apego às imagens do real, do cotidiano, submetidas ao rigor científico de um sociológo do batente (15 anos de pesquisa - FUNDAJ-PE/CEPA-AC) fundou seu canto fraterno, com todos os esgares da mais fina ironia, "noticiando" esse momento trágico do país. Poesia engajada? O que não é engajado? Até o silêncio é engajamento, ou não?
Dono de uma poesia absolutamente singular, com seu vocábulo claro e
direto, suas imagens pejadas de expectação, beleza e mistério, como no
poema Estamos, portanto, diante de um "indisciplinador de almas", como afirmou Jorge de Sena sobre Fernando Pessoa? Sim, estamos. Um indisciplinador que rompe os fios da marionete que somos e nos faz mergulhar no labirinto da beleza de sua arte, mesmo quando os temas são os esgotos das paisagens humanas. Entretanto um indisciplinador extremamente disciplinado, um teórico do seu próprio fazer poético, mas não através de uma retórica positivista de formas, como no Parnaso, não através de uma retórica vazia de modelos acabados, mas sim através de uma retórica da busca, um modo particularmente agudo de decantar o seu sentir os homens, as paisagens, os objetos, o que for, para o fazer da Poesia mais Pura.
Com um nome de família de alta linhagem, mas nascido num subúrbio pobre e
cinzento da cidade do Jaboatão dos Guararapes, neto e filho de poetas (seu
pai, professor, jornalista e funcionário público,
"Eu só sinto mordida de cachorro pra cima". Essa frase, que
costuma repetir, diz de sua ecológica paixão pela pesca, pela natureza,
levada à pratica tanto nas praias do Nordeste, como a de Maria Farinha, onde gestou
seu livro
Yacala, quanto na Amazônia acreana, onde se embrenhou na sua última
pesquisa de campo. Longe das etiquetas e protocolos, é nessas paisagens que
se sente absolutamente à vontade, mesmo com o incômodo dos insetos que
proliferam nas florestas e nas praias. No entanto sua poesia é
essencialmente urbana e o próprio poeta afirma que, nela, é "mais metropolitano, mais
cultural". O poema
Atualmente, Alberto da Cunha Melo, depois de várias passagens pelas
editorias da imprensa local, mantém a coluna Marco Zero, na revista Nossas palavras são quase desnecessárias diante da pertinência das perguntas da equipe de entrevistadores e das respostas do poeta. Registramos nossos melhores agradecimentos à essa equipe como também a Alberto da Cunha Melo que datilografou 29 páginas de respostas a todas as perguntas feitas e ainda a você, leitor, que nos move a prosseguir o nosso "abrir trilhas" para o que há de melhor em nossa Literatura. As Editoras: Mariza Lourenço e Cláudia Cordeiro Reis |
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* VILA NOVA, Sebastião. As Instituições de Pesquisa e Cultura e a Geração 65. In: BEZERRA, Jaci (org.). Geração 65. O Livro dos Trinta Anos. Recife, Massangana, 1995, p. 47. |
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| II - Fortuna Crítica na Internet (Seleção) ("clique" no título para ter acesso ao texto) | |||
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Autor |
Título |
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| Alfredo Bosi | Uma Estranha Beleza | ||
| Bruno Tolentino | O
Opus
Nigrum
da Dor que nos Liberta |
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| José Nêumanne Pinto | O outro poeta de Pernambuco para o Brasil | ||
| Mário Hélio | A ordem fatal das coisas vivas | ||
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Martim Vasques da Cunha |
Alberto da Cunha Melo e as tocaias da poesia | ||
| Cláudia Cordeiro
Reis
|
2.0 A Obra Poética - Uma Geografia Espacio-temporal (Fragmento do ensaio Faces da Resistência na Poesia de Alberto da Cunha Melo. Recife: Edições Bagaço, 2003) | ||
|
Urariano Mota |
O imortal que não vemos | ||
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