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ALBERTO DA CUNHA MELO Entrevista Coletiva - continuação... |
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Alcir Pécora |
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Alfredo Bosi |
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Anderson Braga Horta |
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Astier Basílio |
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Deonísio da Silva |
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Domingos Alexandre | |||||||
| Eduardo Martins |
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Ermelinda Ferreira |
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Evandro Affonso Ferreira | ||||||||
| Isabel Moliterno |
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Ivan Junqueira |
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Ivo Barroso | ||||||||
| José Nêumanne Pinto |
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Mário Hélio |
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Martim Vasques da Cunha | ||||||||
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06 |
Mário Hélio: |
Como você encara aquela afirmação de T.S. Eliot de que "nenhum verso é livre para quem deseja fazer um bom trabalho ("no verse is free for the man who wants to do a good job")? | ||
| Alberto da Cunha Melo: |
Já respondi a isso usando as suas próprias palavras, quando tratou de minha fase de verso livre, ao falar em "liberdade vigiada" ou "liberdade condicional". Resumindo o que disse você, Eliot, Bandeira, todos os poetas competentes que experimentaram a métrica silábica e o versolibrismo, chegaram à conclusão de que o verso livre na verdade não existe, a não ser na massa informe de textos escritos por milhares de amadores, em toda a parte do Ocidente. Se a poesia é, de fato, uma arte, ela exige o que nos ensina o velho Bandeira: "disciplina de idéias, disciplina de formas, disciplina dos sentidos". Um verso submetido a uma disciplina não é, obviamente, livre. Quando tento uma classificação para o que é chamado de verso livre, ela é provisória, para uso exclusivamente pessoal, e será posta de lado no dia em que encontrar algum texto teórico sobre o assunto. Ela só leva em consideração poemas consagrados ou que eu considero uma obra de arte. A enxúndia irresponsável que se multiplica como urtiga por toda a parte não é levada em consideração.
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07 |
Ivo Barroso: : |
Alberto, quem conhece sua poesia sabe que você privilegia uma determinada estrutura estrófica criada por você. Não lhe dá às vezes vontade de mudá-la, de recorrer a outras formas, ou suas manifestações poéticas, quaisquer que sejam, obedecem ao modelo que você determinou impor-lhes? |
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| Alberto da Cunha Melo: |
A vontade de mudança sempre aconteceu em minha poesia, mas só depois do esgotamento de uma forma escolhida, depois de acreditar que mais nada ela pode me dar. Assim foi a longa fase de poemas de cinco quartetos de versos octossílabos brancos, depois de mais de uma década inteira de um verso-livre sob coleira, domesticado a duras penas, e, agora, me despeço de uma terceira forma que terminei chamando de "retranca", atendendo a um artigo de César Leal, que pedia que eu escolhesse um nome para a estrutura 4-2-3-2, em octossílabos rimados. Comecei há uns dois anos uma pesquisa formal, a partir de certas observações episódicas da Antropologia e das pesquisas de poética comparada. Mas as necessidades materiais me tornaram um biscateiro de jornais e revistas que me pagam muito mal, como desconhecido free-lancer, e a preocupação com a poesia virou a última das prioridades e, por isso, poesia literária, para mim, é arte para a classe média alta e a alta. O violeiro-repentista do Nordeste vive de sua poesia oral, cantada nos palcos, poesia também difícil, mas ele é mais feliz do que eu, que faço parte da humilhada categoria de funcionários públicos, a mais pisada pela Nova República — de Sarney a Lula. Fora isso, sou em alguns covis intelectuais considerado uma coisa nenhuma, mas que, paradoxalmente, até presidentes da República querem ser.
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| 08 | Domingos Alexandre: | Alberto, eu, na qualidade de integrante da chamada Geração 65 de escritores pernambucanos, gostaria de saber a que (você como sociólogo) atribui tantos desencontros havidos entre seus componentes, desencontros esses que, no meu entender, têm prejudicado a troca de idéias entre nós e até mesmo impedido a manifestação daquele espírito de companheirismo que, certamente, ajudaria bastante na divulgação de suas obras? | ||
| Alberto da Cunha Melo |
Nenhum problema sociológico, a não ser o que o velho lema capitalista procura impor: "amigos, amigos, negócios à parte". Os que subiram na cooptação política local esqueceram os que ficaram na planície, ou disputaram desonestamente com os que subiram com eles, procurando derrubá-los, do modo mais canalha e vil. Isso acontece com as "melhores famílias de São Paulo" e, por que não poderia repetir-se entre uns míseros poetas assalariados de Pernambuco? São danos irreparáveis, daqueles que reforçam a tese de que pobre não pode sequer ser promovido a inspetor de quarteirão, porque vai fazer pose de delegado. Meu amigo Domingos Alexandre, a geração que nos antecedeu, de Mauro Mota e Laurênio Lima, teve as virtudes da aristocracia, enquanto a nossa, até hoje, só faz repetir os defeitos do proletariado, a competição fabril e febril pelas graças dos patrões, seja ele o burguês ou o Estado, patrões que, no fim, nem sabem que ele existe. E, quando não foi a competição imposta pelos mais ambiciosos, em seu lugar atuou um egoísmo sem limites, a se manifestar nas pequenas e nas grandes coisas. O maior exemplo pode ser oferecido por aqueles escritores que, em melhores condições econômicas, fazem constantes viagens ao Sudeste e publicam seus livros por editoras importantes. Eles são incapazes de pedir uns originais ao companheiro da geração que não tem dinheiro para viajar, e tentar publicá-los fora de Pernambuco. Quando muito tentam fazer alguma coisa pela geração, desde que fique por aqui mesmo. Mas, se espremermos todos os motivos vai sair um caldo só: a falta de generosidade, ou daquela caridade-amor de que nos fala São Paulo. Meu último livro foi publicado por uma importante editora de São Paulo, porque, antes, o poeta Bruno Tolentino (carioca) abriu os caminhos, depois os poetas José Nêumanne Pinto e Pedro Paulo de Sena Madureira, o primeiro da Paraíba e o segundo carioca, acreditaram na minha poesia e o Instituto Maximiano Campos comprometeu-se com a compra de 500 exemplares, garantindo a inserção da marca da instituição e respectivos créditos no exemplar. Mas não posso deixar de registrar que aqui em Pernambuco, na década de 60, o poeta e crítico César Leal, que lançou a Geração no Diário de Pernambuco, publicou pela Universidade Federal meu primeiro e segundo livros: Círculo Cósmico e Oração pelo Poema. Em tempo: sua pergunta é sobre nossa geração, e César é da geração anterior, mas acredito valer o registro. |
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